A Primeira Vez na Enferrujados

Eu e meu primo Rafael acordamos cedo no sábado, após uma boa noite de sono. Tomamos um bom café com alguns biscoitos, arrumamos os últimos preparativos para a aventura e partimos logo em seguida. A empolgação era grande e durante o trajeto de ônibus até a rodoviária fomos conversando sobre nossas espectativas para a escalada.

Chegando na rodoferroviária encontramos o Natural, já buscando passagens para comprar. Nosso outro colega de aventura, o Maurício, estava atrasado e nos preocupamos com a demora dele pois restavam poucas passagens. Depois de algum tempo o Maurício aparaceu, todo sorridente, já tirando uma com a cara de meu primo Rafael, que estava com alguns ítens para fora da mochila (tremenda farrofagem!!! hehehe). Minutos depois já estávamos no trem, rumo a uma das montanhas mais marvilhosas de nosso país, o Marumbí.

O trajeto de trem Curitiba-Morretes é bastante popular e pode-se deslumbrar paisagens maravilhosas da Serra do Mar Paranaense. Durante o caminho aproveitamos para comer mais um sanduíche vendido no trem por um senhor bastante gente-boa. Depois de algum tempo fomos dar uma rolé, indo dar uma olhada no último vagão, onde dois garotos faziam muita baderna entre os turístas. Logo um deles fez uma coisa que eu detesto: jogou uma lata de cerveja para fora do trem (puta que pariu!). Não fiquei calado perante essa atitude e meti a boca no gurizão, que estava bem “mamado”. O que jogou a latinha até que entendeu o recado, mas o amiguinho dele não e ficou me encarando por algum tempo. Deus castiga, isso é fato! A prova disso foi quando o trem parou e os dois babaquinhas desceram dele. Quando o trem começou a andar novamente um dos “cuzidinhos” saiu correndo atrás (cambaleando) e levou um pacote bonito no meio do trilho… quase que o miserável não consegue voltar para o vagão. Não puder deixar de rir…

Chegando na Estação Marumbi encontrei alguns amigos do Grupo Escoteiro: Félix, Julho, Vânia e Lelo. Foi bom vê-los por lá… Pegamos as mochilas, fizemos o cadastro e “pé na trilha”. O Maurício e o Natural foram na frente e logo em seguida fomos eu, o Rafael e o Félix . Andamos bem tranquilamente, deixando o corpo se acostumar com o ambiente até pegar um bom ritmo de caminhada. Quano chegamos na “primeira corrente” aproveitamos para desfrutar da paisagem e beber um pouco de água de uma fonte (fizemos uma pequena bica com uma folha, na ocasião). Passamos a 1ª, 2ª e 3º correntes e logo embicamos na trilha que nos levaria ao Parque do Lineu, local onde encontram-se algumas vias clássicas de escalada no Marumbi. O Parque do Lineu é muito bonito, imponente e oferece uma bela visão onde pode-se ver, ao longe, o Pico Paraná. No local encontramos mais dois escaladores, que aparentemente não gostaram de nossa presença, e também o “caderno de registros”, onde os marumbinistas cstumas registrar como foi a ascensão.

Após o almoço começamos a preparar nosso material para escalar a via chamada “Enferrujados”, um via graduada em A0, sendo um “trepa grampo” com grampos bem velhos, provavelmente datados de meados do século. Ao lado da “Enferrujados” pudemos ver uma nova via sendo aberta, onde havia um pedaço de corda pendurada, juntamente com dois mosquetões. Maurício iniciou a escalada guiando, indo o Natural logo em seguida. Depois foi a vez do Rafel guiar, indo eu na sequência. Félix, ficou sussegado na base da via. A via é bastante negativa e exposta (foi assustador) e acabei desistindo quase no final da primeira cordada. Quando desci me arrependi amargamente de ter desistido. Quando cheguei na base da via o Félix estava dormindo tranquilamente, enquando um grupo de pessoas escalava uma das vias ao lado. Logicamente meus amigos me sacanearam por eu ter “amarelado”.

Quando todos voltaram ficamos batendo papo até a noite chegar. Como estávamos com o estoque de água se esgotando resolvi buscar numa fonte logo abaixo, na trilha. O caminho era bem fechado, cheio de teias e aranhas e logo percebí que a noite veio rápido. Preparei a janta (um macarrãozinho furreca) e logo arrumei minhas coisas para dormir. O céu estava lindo e repleto de estrelas, simplismente fantástico! Ficamos obsrvando o céu até o sono chegar… vimos até alguns OVNIS (acreditem se quiser!). Pois bem, o sono não chegou pois haviam milhares de mosquitos dispotos a impedir que isso acontecesse. Os bichinhos eram insistentes e não perdoaram ninguém. Vencido pelo cansaço devo ter dormido por volta das 3h da manhã. Fui acordado pelo Rafael as 5h. Estávamos cheios de picadas… Como não tínhamos como descansar comecei a preparar o meu material disposto a tentar fazer a via outra vez. Escalamos a via novamente!! Foi alucinante!! O rappel desta via é indescritível! Como a parede é negativa aproveitamos a corda para ficar pendulando.

Ainda pela manhã iniciamos a descida. Encontramos o restante do pessoal na estação, onde preparamos um bom almoço. Aproveitamos a tarde para tomar um belo banho na Cachoeira dos Marumbinistas, onde tentamos pegar alguns peixinhos numa poça, e escalar na “Pedra Lascada”, que também era habitat de milhares de mosquitos (foi foda aguentar!). A volta de trem foi só bagunça, mesmo cansados e picados como estávamos.

Texto retirado de meu “Caderno Diário”. Na época eu só tinha 15 aninhos.

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Posted on 18/12/1995, in Escalada and tagged , . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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