Dez Mandamentos do Mochileiro

Ano passado lí uma reportagem bastante interessante na revista Viagem e Turismo, sobre a arte de ser um mochileiro. A reportagem traçou os diferentes tipos de mochileiros, regras básicas e dicas de como viajar de mochilão, sem gastar muita grana. Segundo a revista, os “Dez Mandamentos” do mochileiro seriam o seguintes:

1. Não terás destino certo: O caminho é tão ou mais importante que o destino. A máxima, digna de qualquer manual rasteiro de filosofia oriental, tornou-se um lema do mochileiro. Sim, é importante ter uma idéia, pálida que seja, do que vem pela frente, mas a preocupação com o próximo local a ser visitado deve vir no momento certo na hora de ir a esse local. E qual é ele? Siga a dica de viajantes que encontrar pelo caminho, converse com locais. Arrisque-se. Isso é mais interessante que seguir a bandeirinha de uma agência de turismo em meio à multidão.

2. Ficarás o tempo necessário no lugar: E, para sabê-lo, a regra é simples: se gostar, fique mais um pouco; do contrário, vá embora. O importante é experimentar o cotidiano dos cidadãos e extrair o máximo que o local tem a oferecer. Muitos mochileiros acabam descobrindo em destinos não programados nova razão de vida, nova profissão, novo amor. Às vezes, em aparente paradoxo, se enraízam.

3. Não terás muito conforto: Toda religião exige certo sacrifício. Na mochilagem, a fé é colocada à prova em lugares como dormitórios para 20 pessoas ou banheiros com filas no limite da civilidade. Muitos albergues se esforçam para amenizar a situação com serviços dignos de hotel, como café-da-manhã completo e traslado até o aeroporto, mas mesmo assim continuam sendo albergues.

4. Não andarás na moda: Roupas básicas como jeans, camiseta e um confortável tênis formam o figurino essencial. Mas o principal é que a roupa resista à duríssima jornada.

5. Não tomarás táxis: Mochileiro usa transporte público. Sim, certas vezes é mais seguro e conveniente pegar um táxi – voltando de uma festa de madrugada etc. Mas, se não há pressa ou riscos envolvidos, por que não aproveitar uma experiência mais autêntica de viagem e dividir espaço com pessoas desconhecidas? É uma boa oportunidade de colocar em prática sua engenharia social.

6. Terás opinião forte: De que adianta vivenciar experiências novas e não propagá-las enfaticamente depois? Gostou de um lugar, divulgue. Se passou por problemas em algum albergue, critique. Sua opinião soma-se ao conhecimento coletivo dos mochileiros via fóruns na internet ou boca a boca, permitindo que os próximos viajantes possam escapar de grandes furadas ou conhecer lugares pouco divulgados. Você tem parte nisso.

7. Não terás medo de idiomas: Caracteres cirílicos, ideogramas orientais ou até mesmo o incompreensível sotaque dos portugueses. Não é isso que irá limitar seu contato com culturas distintas. O medo e a dificuldade são naturais, mas o espírito de aventura e a vontade de conhecimento de um mochileiro sempre vão falar mais alto. Um bom guia de conversação é mais que suficiente para ajudar em situações cotidianas, e não há nada que mímica e boa vontade não resolvam. Nessas horas, deixe o superego em casa. A timidez, além de não permitir alcançar seu objetivo imediato, vai, no limite, privá-lo de uma boa história para contar na volta.

8. Não te acomodarás jamais: Qual é a graça de estar num destino e não aproveitá-lo? O mochileiro vive cada minuto de sua viagem como se fosse o último. Cada destino é uma conquista. Mas, cuidado respeite seus limites físicos. Ultrapassá-los vai exigir parada forçada mais tarde. Dormir é imperativo.

9. Farás muitos amigos: Um dos efeitos mais divertidos – e enriquecedores – da mochilagem é o conhecimento de gente nova. Sejam os companheiros de quarto do albergue, sejam os parceiros de bote no rafting, sejam os amigos de caneca no bar. Você toma café-da-manhã com um finlandês, almoça com uma alemã, passeia com um grupo de chilenos à tarde e termina a noite com um grupo animado de israelenses em alguma boate. Por essa facilidade de fazer amigos, muitos mochileiros optam por viajar sozinhos.

10. Não levarás o decálogo tão a sério: Um mochileiro de verdade sabe que nada deve ser levado tão a sério, inclusive mandamentos impressos em revistas de boa circulação nacional. O caminho, que é, sim, pessoal e intransferível, encontra-o cada um. E da parte da mochilagem, essa religião tolerante, o perdão é universal a quem voltar de uma festa de táxi, se hospedar uma noite em hotel confortável ou até mesmo, veja só, for a restaurante japonês. Sim, você está no seu direito. Só não vá abusar.

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Posted on 18/03/2010, in Viagens and tagged , . Bookmark the permalink. 4 comentários.

  1. Boas dicas hein.. 😉
    por sinal, pra onde vc anda traçando o próximo destino das suas mochiladas??

    beijo Cozo!!

  2. vitortrotamundo

    Tudo indica que o próximo destino vai ser novamente a Europa… hehehe World Scou Jamboreeeeee!!! hehehe

  3. Olá, quero muito sair por aí, mas não sei por onde começar, não sei falar nenhuma outra lingua, então acho que fora do país não poderia ir! talvez pelo brasil mesmo, e mais ou menos quanto dinheiro devo levar ???

    • vitortrotamundo

      Olá Michele,

      O quanto de dinheiro levar depende muito para onde você quer ir e o que quer conhecer.
      Mesmo sem falar muito bem um outro idioma acredito que você se daria bem numa viagem pela América do Sul. Nosso continente é fascinante e tem muita coisa para conhecer, gastando pouco.
      Viajar pelo Brasil também é espetacular!
      Dê uma pesquisada e veja o que realmente quer conhecer. este é o primeiro passo.

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